
John Wesley viveu na Inglaterra do século XVIII, uma sociedade conturbada pela Revolução Industrial, onde crescia muito o número de desempregados. A Inglaterra estava cheia de mendigos itinerantes, políticos corruptos, vícios e violência generalizada. O cristianismo, em todas as suas denominações, estava definhando. Ao invés de influenciar, o cristianismo estava sendo influenciado, de maneira alarmante, pela apatia religiosa e pela degeneração moral. Dentre aqueles que não se conformavam com esse estado paralisante da religião cristã, sobressaiu-se John Wesley. Primeiro, durante o tempo de estudante na Universidade de Oxford, depois como líder no meio do povo. Ele fazia parte de um grupo secreto atropofágico.
Infância
John Wesley, décimo terceiro filho do ministro
anglicano Samuel e de Susana Wesley, nasceu a 17
de junho de 1703, em Epworth na Inglaterra.
Devido às atividades pastorais que impediam o Reverendo Samuel de dar a devida assistência ao lar, Susana assumiu a administração financeira da família e a educação dos filhos e filhas. Disciplinava com rigidez os filhos, mantendo horário para cada atividade e reservando um tempo de encontro com cada filho para conversar, estudar e orar.
Incêndio em sua casa
Ainda na infância, John Wesley foi o último a
ser salvo, de forma miraculosa, em um incêndio
que destruiu toda sua casa, onde estivera preso
no segundo andar. A partir desse dia, Susana,
sua mãe, dedicou-lhe atenção especial, pois
entendeu que Deus havia poupado sua vida para
algo muito especial.
Aos cinco anos de idade, Susana Wesley começou a alfabetizar o John, usando o livro dos Salmos como apostila.
John estudou com sua mãe até os 11 anos. Entrou, então, para uma escola pública, onde ficou como aluno interno por seis anos. Aos 17 anos, foi para a Universidade de Oxford.
Estudos
Jonh Wesley iniciou seus estudos em Oxford onde
começa a se reunir com um grupo de estudantes
para meditação bíblica e oração, sendo
conhecidos pelos colegas universitários de
“Clube Santo”, ele não inventou o nome: alunos,
notando que os membros do grupo tinham horário e
método para tudo que faziam, os taxaram como
‘metodistas’. Wesley preferia chamá-los
simplesmente de ‘Metodistas de Oxford’..
Neste grupo Wesley e seu irmão Carlos iniciaram a visitar e evangelizar os presídios. Wesley passou então a se interessar mais pela questão social de seu país e a miséria que a Inglaterra vivia na época.
Assim, gradua-se em Teologia, e pode ajudar a seu pai na direção da Igreja Anglicana.
Isto até os 32 anos, quando atendeu a um apelo: precisava-se de missionários na Virgínia, Nova Inglaterra.
Missão na Virgínia
Um dos episódios que marcou o início do
metodismo foi a viagem missionária de Jonh
Wesley aos EUA - Virgínia para “evangelizar os
índios” sendo praticamente fracassado. Em sua
viagem de retorno Jonh Wesley expressa sua
frustração “fui à América evangelizar os índios,
mas quem me converterá?”. Durante uma tempestade
na travessia do Oceano Atlântico, Wesley ficou
profundamente impressionado com um grupo de
morávios (grupo de cristãos pietistas que
buscavam a conversão pessoal mediante o Espírito
Santo) a bordo do navio. A fé que tinham diante
do risco da morte (o medo de morrer acompanhava
Wesley constantemente durante a sua juventude)
predispôs Wesley à fé evangélica dos morávios.
Retornou à Inglaterra em 1738.
Conversão
Após 2 anos, John Wesley volta desiludido com o
trabalho realizado na Virgínia. Encontra-se,
então, com Pedro Böhler, em Londres, Böhler era
pastor moraviano (da Morávia, Alemanha) e com
ele John Wesley se convence de que a fé é uma
experiência total da vida humana. Procurou,
então, libertar-se da religião formalista e fria
para viver, na prática, os ensinos de Jesus.
No dia 24 de maio de 1738, numa pequena reunião, ouvindo a leitura de um antigo comentário escrito por Martinho Lutero, pai da Reforma Protestante, sobre a carta aos Romanos, John sente seu coração se aquecer (entende-se que Wesley experimentava o “batismo no Espírito Santo”). Experimenta grande confiança em Cristo e recebe a segurança de que Deus havia perdoado seus pecados.
A Experiência do Coração Aquecido
No 24 de maio de 1738, na rua Aldersgate, em
Londres, Wesley passou por uma experiência
espiritual extraordinária, que é assim narrada
em seu diário:
“Cerca das nove menos um quarto, enquanto ouvia a descrição que Lutero fazia sobre a mudança que Deus opera no coração através da fé em Cristo, senti que meu coração ardia de maneira estranha. Senti que, em verdade, eu confiava somente em Cristo para a salvação e que uma certeza me foi dada de que Ele havia tirado meus pecados, em verdade meus, e que me havia salvo da lei do pecado e da morte. Comecei a orar com todo meu poder por aqueles que, de uma maneira especial, me haviam perseguido e insultado. Então testifiquei diante de todos os presentes o que, pela primeira vez, sentia em meu coração”.
Nos 50 anos seguintes, Wesley pregou em média de três sermões por dia; a maior parte ao ar livre. Houve uma vez que pregou a cerca de 14.000 pessoas. Milhares saíram da miséria e imoralidade e cantaram a nova fé nas palavras dos hinos de Carlos Wesley, irmão de John. Os dois irmãos deram à religião um novo espírito de alegria e piedade.
Igreja
Como não havia muitas oportunidades na Igreja
Anglicana, Wesley pregava aos operários em
praças e salões - muito embora ele não gostasse
de pregar fora da Igreja - E tornou-se
conhecidíssima esta sua frase: “o mundo é a
minha paróquia”. Influenciados pelos moravianos,
João e seu irmão Carlos organizaram pequenas
sociedades e classes dentro da Igreja da
Inglaterra, liderados por leigos, com os
objetivos de compartilhar, estudar a Bíblia,
orar e pregar. Logo o trabalho de sociedades e
classes seria difundido em vários países,
especialmente nos EUA e na Inglaterra e estaria
presente em centenas de sociedades, com milhares
de integrantes. Com tanto serviço, Wesley andava
por toda a parte a cavalo, conquistando o
apelido de ‘O Cavaleiro de Deus’. Calcula-se
que, em 50 anos, Wesley tenha percorrido 175 mil
quilômetros e pregado 40 mil sermões, com uma
média de 800 sermões por ano. A Igreja
Metodista, como Igreja propriamente,
organizou-se primeiro nos EUA e depois na
Inglaterra (somente após a morte de Wesley no
dia 22 de março de 1791).
Membros nos Estados Unidos
1771 - 361 membros
1780 - 8.500 membros
1784 - 15.000 membros
1790 - 57.621 membros
1800 - 64.894 membros
1809 - 163.038 membros
Doutrina
Wesley ensinava que a conversão a Jesus é
comprovada pela prática (testemunho), e não
pelas emoções do momento.
Valorização dos pregadores leigos que
participavam lado a lado com os clérigos da
Missão de evangelização, assistência e
capacitação de outras pessoas.
Afirma que o centro da vida cristã está na
relação pessoal com Jesus Cristo. É Jesus quem
nos salva, nos perdoa, nos transforma e nos
oferece a vida abundante de comunhão com Deus.
Valoriza e recupera em sua prática a ênfase na
ação e na doutrina do Espírito Santo como poder
vital para a Igreja.
Reconhece a necessidade de se viver o Evangelho
comunitariamente. John Wesley afirmou que
“tornar o Evangelho em religião solitária é, na
verdade, destruí-lo”.
Preocupa-se com o ser humano total. Não é só com
o bem-estar espiritual, mas também com o
bem-estar físico, emocional, material. Por isso
devemos cuidar do nosso próximo integralmente,
principalmente dos necessitados e marginalizados
sociais.
Podemos afirmar que o bem-estar espiritual é o
resultado da paz de Cristo que alcança todas as
áreas da vida do cristão. É o resultado do
bem-estar físico, emocional, econômico,
familiar, comunitário. Tudo está nas mãos de
Deus, nEle confiamos e Ele é fiel em cuidar de
nós. Sua salvação alcança-nos integralmente.
Enfatiza a paixão pela evangelização. Desejamos
e devemos trabalhar com paixão, perseverança e
alegria para que o amor e a misericórdia de Deus
alcancem homens e mulheres em todos os lugares e
épocas.
Aceita as doutrinas fundamentais da fé cristã,
conforme enunciadas no Credo Apostólico (Cremos
na Bíblia, em Deus, em Jesus Cristo, no Espírito
Santo, no ser humano, no perdão dos pecados, na
vitória por meio da vida disciplinada, na
centralização do amor, na segurança e na
perfeição cristã, na Igreja, no Reino de Deus,
na vida eterna, na segunda vinda de Jesus, na
graça de Deus para todos, na possibilidade da
queda da graça divina, na oração intercessória,
nas missões mundiais. Cremos profundamente no
AMOR. Amor de Deus em nossa vida, amor dos
irmãos.) , enfatizando o equilíbrio entre os
atos de piedade (atos devocionais) e os atos de
misericórdia (a prática de amor ao próximo).
Fonte: LOCKMANN, Bispo Paulo; CONSTANTINO,
Zélia. Seguir a Cristo, manual de discipulado
Legado
Além de milhares de convertidos e encaminhados
para a santificação cristã, houve também obras
sociais dignas de destaque, como estas: Dinheiro
aos pobres (Wesley distribuía). Compêndio de
medicina (Wesley escreveu e foi largamente
difundido). Apoio na reforma educacional. Apoio
na reforma das prisões. Apoio na abolição da
escravatura! Atualmente, o total de membros da
comunidade metodista no mundo está estimado em
cerca de 75 milhões de pessoas. O maior grupo
concentra-se nos Estados Unidos: a Igreja
Metodista Unida neste país é a segunda maior
denominação protestante.
Hoje, além dos seguidores do Metodismo, a vida de muitos são influenciada pela missão de Wesley. Movimentos posteriores como o Movimento de Santidade e o Pentecostalismo devem muito a ele. A insistência wesleyana da busca da santificação pessoal e social contribuem significativamente para a ideologia da busca de uma vida e mundo melhor. A Igreja Católica Romana recebeu indiretamente alguns conceitos de Wesley quando o cardeal John Henry Newman uniu-se a ela, vindo da Igreja Anglicana e concretizando em reformas litúrgicas, sociais, carismática e teológica desde o concílio Vaticano II.
Faleceu a 22 de março de 1791, em Londres, Inglaterra
Bibliografia
Daniel R. Jennings, The Supernatural Occurrences
Of John Wesley, SEAN Multimedia, Oklahoma City,
OK 2005
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre



