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IGREJA NÃO FAZ ALIANÇA POLÍTICA
Ed René Kivitz
Há
cinco razões para este posicionamento
Igreja não apóia candidato. Igreja
não se envolve com política partidária. Há pelo
menos cinco razões para este posicionamento.
Primeira: o Estado é laico.
Igreja e Estado são instituições distintas e
autônomas entre si. É inadmissível que, em nome da
religião, os cidadãos livres sofram pressões
ideológicas. Assim como é deplorável que os
religiosos livres sofram pressões ideológicas
perpetradas pelo Estado. É incoerente que um Estado
de Direito tenha feriados santos, expressões
religiosas gravadas em suas cédulas de dinheiro,
espaços e recursos públicos loteados entre segmentos
religiosos institucionais. É uma vergonha que
líderes espirituais emprestem sua credibilidade em
questão de fé para servir aos interesses efêmeros e
dúbios (em termos de postulados ideológicos e
valores morais) da política eleitoral ou
eleitoreira.
Segunda: o voto é uma prerrogativa do cidadão.
Assim como os clubes de futebol, as organizações não
governamentais, as entidades de classe, as
associações culturais e as instituições
filantrópicas não votam, também a igreja não vota.
Quem vota é o cidadão. O cidadão pode ser
influenciado, melhor seria, educado, por todos os
segmentos organizados da sociedade civil, inclusive
a igreja. Mas quem vota é o cidadão.
Terceira: a igreja é um espaço democrático.
A igreja é lugar para todos os cidadãos,
independentemente de raça, sexo, classe social e, no
caso, opção política. A igreja é lugar do vereador
de um lado, do deputado de outro lado, e do senador
que não sabe de que lado está. A igreja que abraça
uma candidatura específica ou faz uma aliança
partidária, direta e indiretamente rejeita e
marginaliza aqueles dentre seu rebanho que fizeram
opções diferentes.
Quarta: a igreja não tem autoridade histórica
para se envolver em política. Na verdade, não se
trata apenas de uma questão a respeito da igreja
cristã, mas de toda e qualquer expressão religiosa
institucional. A mistura entre política e religião é
responsável pelos maiores males da história da
humanidade. Os católicos na Península Ibérica e em
toda a Europa Ocidental. Os protestantes na Índia.
Os católicos e os protestantes na Irlanda. Os judeus
no Oriente Médio. Os islâmicos na Europa e na
América. Todos estes cometeram o pior dos crimes:
matar em nome de Deus. Saramago disse com
propriedade que “as religiões, todas elas, sem
exceção, nunca serviram para aproximar e congraçar
os homens, que, pelo contrário, foram e continuam a
ser causa de sofrimentos inenarráveis, de
morticínios, de monstruosas violências físicas e
espirituais que constituem um dos mais tenebrosos
capítulos da miserável história humana”.
Quinta: o papel social da igreja é profético.
Quando o governo acerta a igreja aplaude. Quando o
governo erra a igreja denuncia. Quando a autoridade
civil cumpre seu papel institucional a igreja acata.
Quando a autoridade civil trai seu papel
institucional a igreja se rebela. A igreja não está
do lado do governo, nem da oposição. A igreja está
do lado da justiça.
Todo cristão é também cidadão.
Todo cristão deve exercer sua cidadania à luz dos
valores do reino de Deus e do melhor e máximo
possível da ética cristã, somando forças em todos os
processos solidários, e engajado em todos os
movimentos de justiça.
Comparecer às urnas é um ato intransferível
de cidadania, um direito inalienável que custou caro
às gerações do passado recente do Brasil, e uma
oportunidade de cooperar, ainda que de maneira
mínima, na construção de uma sociedade livre, justa
e pacífica.
Data:
1/9/2010 09:12:30
Fonte Portal creio |