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JANELA 10-40
O DESAFIO MISSIONÁRIO DA IGREJA DO SÉCULO XXI
Certo dia, o pastor Josué
Martins, da Missăo Avante, estava andando no interior da Tailândia quando
avistou um monge budista-lamanista observando um objeto parado em sua frente.
Outros monges vieram e passaram a fazer o mesmo. “Por que eles estăo fazendo
isso?”, perguntou o pastor ao missionário que o acompanhava. “porque eles
acreditam ter visto um ponto luminoso nesse objeto” (no caso em questăo uma
árvore) “no qual eles acreditam que esteja Deus”. E permaneceram os monges por
horas e mais horas na contemplaçăo daquele “objeto”.
O que é a janela
10-40?
Essa história kafkiana aconteceu
num dos países que compőe o epicentro daquilo que os missiólogos chamam de
Janela 10-40, um cinturăo de países que se estende entre a longitude 10 e a
latitude 40 acima da linha do Equador. O termo foi cunhado pelo missiólogo Luiz
Bush durante a 2o Conferęncia Missionária de Lausanne, na Suíça, mas foi
empregado pela primeira vez num evento missionário em Manilla, Filipinas, em
julho de 1989. A rigor, a Janela 10-40 abrange o Norte da África, o sul da
Europa, o Oriente Médio e a maior parte da Ásia (Central e Oriental ou Sudeste
Asiático) e certas ilhas do Pacífico, mas a diversidade é a sua característica.
De fato, o maior grupo espiritualmente fragmentado de povos etnolinguísticos,
pertence precisamente ŕ regiăo da Janela 10-40, bem como a maior quantidade de
famílias dialetais que ainda hoje năo possuem Bíblias, e, por conseguinte
missionários, para evangelizaçăo.
No Reino da pobreza e da superstiçăo.
Os países da Janela 10-40 săo,
em sua maioria pobres ou muito pobres, entre eles há naçőes que tem os piores
índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do planeta, como a Mauritânia, na
África, e Bangladesh, na Ásia. Em média, o morador de um país da janela 10-40
vive, numa expectativa otimista, com um orçamento igual ou inferior a 500
dólares por ano. Na índia, apesar de a Constituiçăo proibir a discriminaçăo de
castas que vigenciou por séculos na regiăo, ainda hoje se costumam
discriminar os chamados parias ou intocáveis, que săo os pobres dos pobres num
país onde a pobreza é tăo endęmica quanto a superstiçăo. Para piorar, quase
inexistem políticas de controle de natalidade na regiăo, que por conta disso
apresenta elevado índice de DST-AIDS e crescimento populacional expressivo,
especialmente no mundo muçulmano e na índia, que incentiva a expansăo
populacional. Contudo, essa pobreza năo é endęmica, pois também na janela 10-40
encontram-se os chamados Tigres asiáticos, países que crescem a taxas de 8% a
10% ao ano, como a China, Cingapura, Taiwan e a própria China, e até países do
1o mundo (Japăo). Também encontram-se os países produtores mundiais de Petróleo
como Arábia Saudita e Kweit, cuja populaçăo tem renda acima de 2.000 dólares,
evidenciando assim que o problema espiritual da regiăo năo está só ligado ŕ
pobreza.
Os mundos da Janela 10-40.
Pelo menos quatro pequenos
mundos formam a paisagem social da Janela 10-40: o mundo muçulmano, o budista, o
hinduísta e o que pode ser chamado de diverso, onde figuram ora formas mais
originais de budismo, ora religiőes nativas de um único país como o Xintoísmo
japonęs, ora práticas animistas, que naturalmente, săo bastante comuns na
regiăo.
O
mundo muçulmano
abrange o Norte da África e até
mesmo parte da Europa (Bósnia), estendendo-se pela Ásia Central e Oriente Médio.
É, numericamente, o grupo mais expressivo e homogęneo tanto por ser uma regiăo
de alta densidade populacional e por estar em crescimento, como por ser o islă a
religiăo dominante em todos os sentidos, já que na regiăo năo existe liberdade
religiosa, ou existe de forma muito relativa, e os grupos minoritários săo
perseguidos de forma particularmente violenta.
O
mundo budista
abrange toda a regiăo do Sudeste
Asiático e mais a China, que apesar da repressăo comunista continua em franca
expansăo especialmente no Tibete. Ali a cultura e a vida social săo tăo marcadas
pelo budismo que este se tornou parte da vida do povo. Nesses países, o problema
năo é tanto a violęncia, como nos países islâmicos, embora também exista, mas a
relaçăo do budismo como os povos da regiăo, que atravessa milęnios.
O terceiro grupo é representado
pelo
mundo hindu,
isto é, a Índia e seus satélites, o Butăo e o Sri Lanka. Nessa regiăo, o
hinduísmo fomentou uma religiăo baseada numa idolatria feroz, onde se revezam o
culto a centenas de entidades, veneraçăo de animais, ascetismo e até
recentemente, sacrifícios humanos. Acrescente-se a isso o sistema de castas que
segrega comunidades inteiras como os parias, e o nacionalismo do governo indiano
que vę em sua religiăo uma afirmaçăo da cultura de sua civilizaçăo milenar,
recebendo seu apoio.
O quarto grupo, que embora
diverso
apresenta relativa homogeneidade, abrange países onde o animismo predomina com
grupos religiosos mais ou menos expressivos, como é o caso do siks na Índia, os
xintoístas japoneses, as variaçőes modernas do budismo como a Seicho-Noię e a
Sokka-Gakkai e as diversas formas de cultos animistas existentes na China e
África e que tem em comum a invocaçăo de espíritos, o culto dos antepassados e a
veneraçăo de entidades ligadas aos elementos da natureza.
Em geral o mundo muçulmano é formado por naçőes onde ou existe o
estado islâmico como o Iră, ou onde as leis islâmicas săo predominantes, apesar
do laicismo, como na Turquia e no Líbano. Os países do mundo budista săo em
geral mais democráticos que os muçulmanos, mas mesmo nesses países o contexto de
repressăo ao evangelho é intenso, como no Japăo, onde apesar da liberdade
religiosa, tem se verificado o surgimento de partidos nacionalistas
pró-xintoístas.
As cidades da Janela 10-40.
As cidades situadas na janela
10-40 se caracterizam por sérios problemas de infra-estrutura e serviços de
saneamento básico, muito comuns na Índia, em Mumbai (antiga Bombaim), Calcutá,
Nova Déli e Agra, e que se tornam ainda mais evidentes num verăo sob a
temperatura de 42 graus. No Japăo, o problema é a falta de espaço, o que obriga
a uma reduçăo de espaço construído e ampliaçăo da área urbana em direçăo ŕ
plataforma continental marítima, como é o caso de Tóquio. Na Tailândia,
(Bancoc), a prostituiçăo (masculina e feminina) é endęmica, o país ocupa as
primeiras posiçőes no ranking da prostituiçăo na Ásia e uma das primeiras em
relaçăo ao resto do mundo; e na China, em decorręncia do forte crescimento
econômico, as cidades tęm inchado nos últimos anos devido ao ęxodo rural. Como
grande parte das cidades da regiăo tem populaçăo superior a 4 milhőes de
habitantes como Tóquio, Mumbai, Xangai, Cantăo, Bancoc e o Cairo, a Janela 10-40
pode ser considerada uma regiăo de grande densidade urbana.
Entre os centros principais da
Janela 10-40 figuram cidades que formam verdadeiras fortalezas de resistęncia ao
Evangelho, como Calcutá, Xangai, Tóquio, Bancoc, Cabul (Afeganistăo), Teeră
(Iră), Esmirna (Turquia) e Meca (Arábia Saudita) cidades onde quase năo há ou
năo existe presença cristă de espécie alguma. A mençăo a Esmirna é ainda mais
emblemática já que ela fora um grande centro da Igreja cristă no passado
(Apocalipse 2.8-11) e agora é uma cidade islâmica. A Igreja precisa se
conscientizar, com muita urgęncia, da importância de evangelizar as cidades da
Janela 10-40.
Presença Wesleyana na Janela 10-40.
A IMW possui missionários em
atividade na regiăo da janela 10-40: pastor José Antonio e sua esposa Maria
Aparecida (Pícida) que estăo na Ásia Central, missionários Joaldo, Jovelina e
Suzana, também na mesma regiăo, pastor Marcus Fukuda, no Japăo e missionária
Wilza Azevedo, que está na África do Norte. Desses apenas a missionária Wilza
trabalha com uma agęncia interdenominacional, a Missăo Antioquia, sendo os
demais ligados ŕ Agęncia Missionária Wesleyana, a AGEMIW. O pastor Lauro
Castelli, atualmente na Bélgica, também serviu a Cristo por anos na regiăo,
trabalhando na Índia.
Para se ter uma idéia das
dificuldades do trabalho enfrentado nessa regiăo, basta o registro do depoimento
do pastor José Antonio, na Ásia Central:
temos visto pessoas entregarem suas vidas a Jesus. Uma delas é
uma senhora chamada Sekine e sua filha adolescente. Por favor, orem por elas,
pois moram em uma das áreas onde o islă é mais forte em Baku e onde năo tem uma
igreja sequer. A última igreja que tentou abrir um ponto de pregaçăo lá foi
apedrejada e teve de ser fechada. (...). A boa nova de hoje é que no domingo
batizamos um dos rapazes que participam do grupo de estudos bíblicos aqui em
casa. O nome dele é Ramil (...) glória a Deus (Boletim
da AGEMIW (setembro/2006).
O pastor Marcus Fukuda, que
trabalha no Japăo salienta que, a despeito de todas as dificuldades relacionadas
a uma sociedade na qual as pessoas săo escravizadas literalmente pelo trabalho,
este ano Deus nos concedeu a vitória de batizarmos no dia 12 de
agosto
(2006)
11 vidas, sendo 9 novos convertidos e 2 para cumprirem o padrăo
bíblico por imersăo, visto terem sido batizados anteriormente por aspersăo.
Já os missionários Joaldo,
Jovelina e Suzana, que trabalham na obra do SENHOR na Ásia Central, explicam que
apesar da ampliaçăo dos campos de trabalho no sul dessa regiăo,
está ficando cada vez mais difícil para estrangeiros fazerem a
obra, pois é preciso licença, se năo tiver eles dăo multa e podem ser negar o
visto.
As restriçőes a vistos de
missionários fazem parte de um esforço de preservaçăo da cultura, no qual o
elemento religioso é visto como sinal de identidade nacional. Nesse sentido, o
cristianismo é visto, em geral, como imposiçăo estrangeira como no Sri Lanka, ao
passo que no Butăo o evangelismo é proibido de todo. Acrescente-se a isso o
forte ressentimento que por muito tempo ficou levedando na regiăo contra o
imperialismo europeu e sua tentativa de aniquilar qualquer vestígio de cultura
autóctone, e teremos as explicaçőes pelas quais o cristianismo hoje tem tantas
dificuldades de entrar na janela 10-40, como no Vietnă, onde depois do longo
domínio da Igreja Católica por meio do colonialismo francęs, o regime comunista
atualmente envida esforços para restringir o trabalho das agęncias missionárias
cristăs.
E o que nós podemos fazer?
Conclusőes
A Igreja brasileira tem uma responsabilidade imensa pela
evangelizaçăo da janela 10-40. já que daqui para frente os missionários dos EUA
terăo dificuldades em entrar nos países da regiăo em decorręncia da política
externa do governo Bush e na Europa o esfriamento espiritual deixou as igrejas
negligenciarem missőes. O pastor Josué Martins da Missăo Avante vę que para
daqui para frente a Igreja Brasileira, mais a da América Latina e sul da África,
precisarăo assumir essa responsabilidade. Se considerarmos que no Brasil temos
hoje mais de 12.000 igrejas, temos ai uma fonte que possibilitaria năo só o
sustento dos missionários, mas a realizaçăo de projetos, inclusive na área
social, que săo indispensáveis naquela regiăo, além de parcerias com agęncias
estrangeiras, sem os quais e impossível deslocar a médio e longo prazo
missionários como profissionais, especialmente médicos, enfermeiros ou
pesquisadores científicos, dada a facilidade com que podem receber vistos para
entrar nesse países. De qualquer maneira, fica evidente que foi delegada por
Deus uma tarefa ŕ nossa Igreja da qual năo só năo se poderá se esquivar, como
até seria pouco aconselhável vir a fazer tal coisa, sem cair na omissăo ou na
rejeiçăo do ide de Cristo, como sinal de acomodamento ou lenięncia com o reinado
de Satanás nessa parte do mundo.
Tręs mundos e uma mesma urgęncia.
Mundo muçulmano.
Centro de peregrinaçăo religiosa:
Meca, na Arábia Saudita, cidade sagrada do Islă, Quom, no Iră, centro religioso
e de estudos xiita, uma das vertentes do islamismo.
Liberdade religiosa:
apenas na Turquia e no Líbano
onde há comunidades cristăs ortodoxas, melquitas e maronitas que remontam aos
tempos apostólicos. Nos demais, liberdade restrita com predomínio da Xária, a
lei islâmica aplicada a pessoas de outras comunidades religiosas. No Iră, onde
também existem comunidades cristăs que seguem os ritos bizantinos do século V, é
concedida alguma liberdade religiosa, embora esteja proibido o proselitismo, em
decorręncia da predominância do estado islâmico dos aiatolás. Os judeus, embora
possuam uma comunidade expressiva, cerca de 20.000 pessoas, sofrem todas as
restriçőes decorrentes de sua condiçăo e ainda săo obrigados a pagar a dhimma, o
imposto estabelecido pelos muçulmanos sobre todas as comunidades năo-islâmicas,
forçando com isso, ŕ imigraçăo dos judeus iranianos.
Mundo budista.
Centros de peregrinaçăo religiosa:
Lhassa, no Tibete, cidade do
Dalai-Lama, cujo gigantesco palácio de Potala foi, até 1951, centro do governo
teocrático desse país antes da sua anexaçăo ŕ China pelos comunistas. Santuário
de Angkor, 72 templos do século X tombados pela UNESCO; mosteiro budista de
Erdenezuu, na Mongólia.
Liberdade religiosa:
restrita na China, Vietnă e
principalmente na Coréia do Norte, que desde 2006 vem figurando na primeira
colocaçăo dentre dos países onde a igreja é mais perseguida; restrita com
proibiçăo de evangelismo em Butăo. Permitida na Coréia do Sul, Japăo, Camboja e
Filipinas, que embora conte com uma expressiva comunidade budista, tem a maioria
da sua populaçăo praticando o catolicismo dos antigos colonizadores espanhóis.
Mundo Sincretista.
Centros de peregrinaçăo religiosa:
templo dourado dos sikhs em
Amritsar, na Índia, destruído totalmente durante um levante da comunidade em
1984, foi reconstruído e ainda hoje é centro principal da peregrinaçăo da
comunsdade sikh; Prasanthi Nilayan, comunidade do guru hindu Sai Baba, um dos
mais poderosos e famosos da Índia; santuário do deus hindu Shiva, em Varanas.
Liberdade religiosa:
embora a constituiçăo indiana
apregoe o estado laico,
na Índia, vários estados
adotaram leis anti-conversăo.
Notas sobre missőes.
Escola Bíblica do Ar (Ebar).
A Ebar foi criada em 05 de maio de 1949 como forma de atender aos
crentes da Igreja Batista da Tijuca, na época pastoreada pelo pastor David Gomes
(1919-2003), que năo podiam, se deslocar até a igreja para participarem da
Escola Dominical.
Em dezembro de 1951 já possuía 1300 alunos em 16 estados e em
outubro do ano o raio de alcance abrangia 4194 alunos em 19 estados. Em 1962, o
número de alunos que acompanhavam a Ebar pelo rádio era de 16443, contando nessa
época a Ebar com transmissores de ondas curtas da Rádio Transmundial. Para
facilitar ainda mais a chegada da Ebar em regiőes năo alcançadas pelos
transmissores, foi adotada a gravaçăo dos programas transmitidos em fitas de
rolo, que mais tarde seriam mixadas em k-7, MD,CD e, finalmente, na Internet. O
trabalho de evangelizaçăo da Ebar pelo rádio foi tăo bem sucedido que abriria
definitivamente as portas da igreja para esse poderoso instrumento de
evangelismo, além de impulsionar o próprio ministério de David Gomes, que a
partir de 1954 se tornaria presidente da Junta de Missőes Nacionais da Convençăo
Batista Brasileira, que presidiria por mais de trinta anos. Fonte:
www.sepal.com.br. 19/04/07.
Quem săo os Pirahăs?
Os Pirahăs săo uma tribo de
caçadores e coletores do sul do Amazonas e entrou no cenário científico
internacional ao se tornar o tema de uma polęmica entre antropólogos e
lingüistas sobre seu sistema de comunicaçăo. Eles năo tem palavras para cores,
usam somente oito consoantes e tręs vogais e contam apenas até tręs.
Em 2005 Daniel Everett, ex
missionário e hoje professor da Universidade Estadual de Illinóis (EUA),
publicou artigo no “Corrent Antropology”, dizendo que a língua dessa tribo năo
era recursiva, isto é, năo tinha capacidade de formar sentenças por meio de
frases ajustadas. O professor, que estudou a língua dos Pirahăs nos anos 70 com
a intençăo de evangelizar a tribo, o que năo conseguiu, explica que na língua
dos Pirahăs se pode dizer “a canoa de Joăo” ou “o irmăo de Joăo”, mas nunca “a
canoa do irmăo de Joăo”.
Everett acredita que a língua
dos Pirahăs é um desafio ŕ teoria da Gramática Universal, do lingüista
norte-americano Noan Chomsky, que ensina que os homens tem faculdade inata de
comunicaçăo, independente do meio cultural. No final de março, tręs lingüistas
dos EUA e do Brasil, lançaram no site Lingbuzz um artigo questionando o valor
acadęmico do artigo de Everett, e afirmando que a língua dos índios tem sim
recursividade. Fonte:
Folha de Săo Paulo, 16/04/07, p.A 13.
PERSONALIDADE
MISSIONÁRIA.
Gunnar Vingreen: o pioneiro pentecostal.
Uma vida
missionária.
Quando comparamos o relato
missionário de Albert Schweitzer sobre sua vivęncia entre os nativos do Gabăo
com o Diário que Gunnar Vingren escreveu nos anos em que esteve como missionário
no Brasil, as diferenças se revelam de modo flagrante, quase grotescamente: o
relato de Schweitzer é erudito e cheio de verniz antropológico, mesmo ao se
pretender pautar por transmitir sua mensagem de forma o menos teológica
possível. O de Vingren é tăo simples que beira ao ingęnuo e por vezes ficamos em
dúvida se os textos coligidos săo de fato de um homem com profunda vivęncia
espiritual e experięncias pessoais. Falta no
Diário do Pioneiro
tanto a análise teológica
quanto a interpretaçăo sociológica da realidade do povo com quem viveu, e até um
estilo literário agradável dadas as repetiçőes ininterruptas da composiçăo.
Contudo, a despeito das limitaçőes, o
Diário do Pioneiro
ainda é um testemunho
valioso sobre os primórdios năo só das Assembléias de Deus no Brasil, mas também
do próprio movimento pentecostal. É impossível falar alguma coisa sobre o
desenvolvimento das denominaçőes pentecostais no país sem consultar essas
memórias assim como as de Daniel Berg e as crônicas de Emílio Conde. Algo mais:
năo obstante a sua pobreza intelectual flagrante, o livro é rico de experięncias
espirituais que mostram o quanto a confirmaçăo de Deus para o cumprimento do
chamado ministerial é necessário para a realizaçăo de missőes. A vida de Gunnar
Vingren apenas confirma nosso pensamento.
Nascimento e formaçăo.
Gunnar Vingren nasceu em Ostra
Husby, Ostergötland, Suécia, em 8 de agosto de 1879. Na época, a Suécia, como os
países escandinavos em geral, estavam vivendo um profundo avivamento que tinha
seu principal centro na Noruega, onde os pietistas haugianos de Gustav Adolf
Lammers e os pentecostais de Thomas Barrat ampliavam cada vez mais os espaços de
evangelizaçăo das igrejas independentes. Esse despertamento, inclusive, produziu
profundas repercussőes na literatura, como podemos ver nos textos de Selma
Lagerlloff, pręmio Nobel de Literatura e 1908, e Verner von Heidestam, Nobel de
1916, cuja obra
Os Carolinos,
uma reconstituiçăo do reinado de Carlos XII, tinha como marca principal a
exultaçăo o sofrimento abnegado como instrumento de recompensa cristă. Vingren,
filho de pais crentes, foi criado numa profunda piedade e depois do curso
primário, começou a ajudar o pai em sua profissăo de jardineiro. Depois de um
período fora da igreja do qual năo entra em detalhes, Vingren solicitou uma
petiçăo para ingressar como aluno na Escola de Guerra em Estocolmo, mas seu
projeto logo veio a debalde. Como disse o missionário:
Deus me dirigiu para năo seguir esse caminho. Além do mais, eu
sentia medo de năo poder permanecer como crente seguindo a carreira militar.
Segundo Vingren, foi na vigília
de ano novo de 1896 que o missionário decidiu retomar o seu concerto com Deus,
após o que, foi batizado nas águas na Igreja Batista de Wraka, em Smaland, em
março ou abril de 1897. Em pouco tempo, começou a se sentir tocado pelo
sofrimento das tribos nativas da Ásia e da África de tal modo que, em certa
ocasiăo, quando a igreja fez uma coleta de fundos para auxiliar um missionário
que partia para o campo transcultural, Vingren ofereceu seis coroas.
Quando voltei para casa depois da festa, disse ele, senti uma
alegria imensa, e ouvi uma voz que me dizia. “tu também irás para o campo da
mesma forma que o Emílio”.
Em 1898, Vingren foi para uma
escola bíblica em Götabro, no Närke, dirigida pelos pastores Gustavsson e
Kihlstedt, e que o marcaria profundamente:
o pastor Kihlstedt
nos quebrantava profundamente com a Palavra de Deus. Ele nos tirava tudo, tudo
até que ficássemos inteiramente aniquilados como pó diante dos pés do SENHOR.
A escola durou apenas um męs, mas repercutiu tanto no seu ministério
missionário, que implantaria o modelo também no Brasil, onde posteriormente as
ADs prosseguiriam na realizaçăo de escolas bíblicas regulares até 1945. Em 1903,
depois de um período de evangelismo na província de Skane, Vingren foi para os
Estados Unidos, instilado pela febre pentecostal estadunidense.
Nos Estados Unidos.
Vingren chegou aos EUA em 19 de
novembro de 1903, e nos anos em que viveu nos país estudou no Seminário
Teológico da Igreja Batista Sueca em Chicago, centro do avivalismo pentecostal
do meio-oeste. Formado em 1909, solicitou e obteve da Convençăo Batista
Estadunidense, o envio para trabalhar como missionário na província de Assan, no
extremo leste da Índia, próximo da Birmânia, mas na última hora, depois do que
chamou de
uma luta interior
imensa,
anunciou que năo seguiria
para aquele país. Como conseqüęncia, sua noiva rompeu o noivado, mas por outro
lado, recebeu a promessa, revelada por uma mulher que tinha o dom da revelaçăo
profética, de que só iria para o campo quando tivesse sido
revestido de poder,
o que năo demorou a acontecer, pois no verăo de 1909, durante um culto na Igreja
Batista Sueca de Chicago, ocorreu uma indelével transformaçăo em seu caráter.
Quando recebi o batismo, falei novas línguas, justamente como
está escrito em Atos 2. é impossível descrever a alegria que encheu o meu
coraçăo. Eternamente o louvarei, pois Ele me batizou com o seu Espírito Santo e
com fogo.
Contudo, ao voltar para a sua igreja em Menominee no Michigan e pregar sobre o
batismo com o Espírito Santo, foi forçado a deixar seu pastorado depois de ter
com a sua pregaçăo, ocasionado uma divisăo entre os membros. Em virtude disso,
Vingren decidiu aceitar o pastorado de outra comunidade sueca em South Bend,
Indiana, onde permaneceu até 12 de outubro de 1910.
Chamado para o Brasil.
Segundo Vingren, foi durante um
dos cultos de oraçăo que ele recebeu o chamamento para o Brasil quando um dos
irmăos da congregaçăo chamado Adolf Uldin recebera uma revelaçăo para que o
missionário se preparasse para ir ao Pará. Sem saber nada da regiăo, nem da
língua ou dos moradores, Vingren pediu a confirmaçăo de Deus para o chamado,
após o que iniciou os preparativos da viagem juntamente com um moço sueco, vindo
de Chicago que fora também convocado para essa incumbęncia: Daniel Berg. Os dois
missionários embarcaram para Belém do Pará, já nesse tempo uma das maiores
cidades brasileiras em decorręncia do ciclo da borracha, e chegaram de navio na
capital paraense em 19 de novembro de 1910. Depois de encontrarem o pastor
metodista Justus Nelson, que há quarenta anos evangelizava sozinho na regiăo,
foram recebidos pelo pastor da Igreja Batista local que os instalou na cidade.
Vingren năo é muito feliz no registro de suas impressőes da regiăo, usa sempre
lugares comuns e repetiçőes.
Fomos levados a um mundo romântico, dominado por imensas selvas
com grandes orquídeas e cipós por todos os lados.
(...) por todos os lados víamos macacos
e jacarés. Quisemos tomar banho no rio, mas fomos impedidos pelos muitos perigos.
Sua verdadeira missăo, e
vocaçăo natural, era levar a bandeira pentecostal ao Brasil e a hastear o mais
alto possível.
O surgimento
das ADs
Em maio de 1911, Vingren recebeu instruçőes para preparar o culto
daquele dia, e como se era de esperar, pregou sobre temas relacionados ao
Batismo com o Espírito Santo, causando imensa celeuma na Igreja.
Para se entender o que pensavam as denominaçőes tradicionais
naquele período a respeito do Pentecostalismo, basta só atentarmos no que fala o
Almanaque Evangélico Brasileiro para o ano de 1922:
năo mencionamos aqui algumas seitas que,
embora se queiram classificar no grupo evangélico năo o săo assim consideradas
pela Aliança Evangélica. Tais săo os sabatistas ou adventistas, os
pentecostistas (sic) e outros que professam
doutrinas heterodoxas, causando grande mal aos que tentam propagar o
cristianismo puro. Essa opiniăo năo
sofreu modificaçăo de espécie alguma quando da realizaçăo do V Congresso
Evangélico Brasileiro em S.Paulo em dezembro de 1936, e do qual participaram as
igrejas Metodista, Congregacional, Episcopal e entidades missionárias
estrangeiras, especialmente norte-americanas. Na ocasiăo, o professor Seth
Ferraz, professor da Faculdade de Teologia da Igreja Presbiteriana e pastor da I
Igreja Presbiteriana de S.Paulo, escreveu:
Embora seja o nosso protestantismo rigoroso na manutençăo de sua
ortodoxia doutrinária, é, no entanto, algo deficiente no que diz respeito ŕ
piedade. Notamos nestes últimos tempos uma reaçăo neste sentido, mas se nós năo
orientarmos o nosso povo no exercício da piedade, corremos o risco de ver o
ęxodo em nossas igrejas descontroladas para as fileiras do pentecostismo (!).
Foi seguindo esse pensamento que a Igreja Batista de Belém
decidiu excluir os dois missionários, mais dezoito crentes que aceitaram a
doutrina. Isso se deu em 13 de junho de 1911.
Em abril de 1911 aportaram em Belém dois senhores suecos, Gunnar
Vingren e Daniel Berg, dizendo-se batistas e chegaram a apresentar suas cartas.
(...) eis que pouco tempo depois, por ocasiăo das reuniőes, começaram esses
batistas a tremer e a gritar sendo já a esta altura imitados por alguns
brasileiros. Que seria aquilo, que espécie de nova religiăo seria essa? Eram as
perguntas. Eles deram para responder que era batismo do Espírito Santo. Línguas
e balelas tornaram os cultos um horror. (...) que fazer? O evangelista,
ajudado por Felí de Barros Rocha, organista da igreja, convocou uma sessăo
extraordinária, declarou fora de ordem os pentecostais que já se constituíam a
maioria, e com a minoria excluiu os que se tinham desviado das doutrinas. (...)
ficou dizimada a igreja. Sem diáconos, uma desolaçăo, este fim de 1911. Foi o
começo do pentecostalismo no Brasil.[1]segundo
o relato deixado por Vingreen:
Todas as demais pessoas que tinham vindo da Igreja Batista creram entăo que isto
era obra de Deus. Todos menos dois: um evangelista e a mulher de um diácono.
(...) já no domingo notamos que ele havia sido tomado por um poder estranho e
isto era notado principalmente quando ele falava. Na terça-feira seguinte, ele
mesmo convidou os membros da igreja para um culto extraordinário e năo permitiu
nem que o pastor falasse. Ele disse: todos os que estăo de acordo com a nova
seita levantem-se. Dezoito irmăos se levantaram e imediatamente foram cortados
da comunhăo da igreja. O pastor, que pelo menos naquele momento demonstrou muita
serenidade, orou a Deus e pediu uma palavra. Abriu a Bíblia e encontrou o
versículo que diz: pelo que sai do meio deles, e apartai-vos, diz o Senhor; e
năo toqueis nada imundo, e eu vos receberei; e eu serei para vós Pai e vós
sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-Poderoso. (II Coríntios
6.17-18). Estes dezoito irmăos saíram da Igreja Batista para nunca mais voltar.
Isto aconteceu no dia 13 de junho de 1911.[2]
Ainda segundo Vingreen: Os batistas esperavam que quando eu
aprendesse o portuguęs, me tornasse o pastor deles. Porém, em nenhuma ocasiăo em
que nos foi permitido falar ŕ igreja nós escondemos a chama pentecostal que Deus
havia acendido em nossos coraçőes. Testificamos também para o missionário
batista quanto ao batismo com o Espírito Santo como sobre a cura divina. Esse
missionário era sueco, mas havia sido enviado dos Estados Unidos para o Brasil.
O seu nome era Erik Nilsson. No início, ele nos ouviu silenciosamente. Mas em
outras oportunidades disse-nos que deveríamos deixar fora de nossa mensagem
aquele versículo que fala de Jesus batizar com o Espírito Santo, pois “propaga
divisőes” argumentou ele. No princípio, pensávamos que estivéssemos tratando com
um verdadeiro cristăo, mas depois agradecemos a Deus por Ele nos ter livrado das
garras daquele homem. O inimigo havia preparado uma cilada muito astuta para nos
desviar da vontade de Deus, e dessa maneira desfazer completamente o plano do
Senhor para a obra pentecostal no Brasil por nosso intermédio.[3]
Após a exclusăo, os missionários organizaram, como instituiçăo
Jurídica, a Missăo Fé Apostólica, primeiro nome das Assembléias de Deus. Em tręs
anos apenas o crescimento foi expressivo: de 13 membros em 1911 para 384 em
1914, das quais 276 batizadas com o Santo Espírito. Nesses primeiros anos a AD
expandiu-se principalmente pelas regiőes ribeirinhas do Pará e Amazonas, a área
dos seringais, para só depois alcançar o Nordeste, e dali o Sudeste.
A expansăo do ministério.
A
partir de 1914 a AD experimenta vertiginosa expansăo para fora do Pará, para o
que contribuem os seguintes fatores: a adoçăo dos missionários já em atividade,
pela Igreja Filadélfia de Estocolmo, liderada pelo pastor Lewi Petrhus, e o
envio de novos ministérios da parte dessa igreja. Num período de apenas seis
anos, de 1914 a 1920, chegaram da Suécia para auxiliar os pioneiros, os casais
Otto e Adina Nelson, Samuel e Lina Nyström, Joel e Signe Carlsson e mais tarde,
Nels Julius Nelson, o colombiano Clímaco Bueno Aza, e uma enfermeira, Frida
Strandberg, que depois de atravessar o Atlântico em meio aos perigos da guerra
submarina (1914-1918), instalou-se no Pará onde se casaria com Vingren em fins
de 1917. Com o trabalho consolidado no Pará, a maior parte desse grupo se
instalou em Pernambuco e em Alagoas. Ao mesmo tempo, o crescimento da AD foi
fomentando o surgimento de uma liderança nacional que paulatinamente começou a
substituir os missionários no campo: Cícero Canuto de Lima, convertido em 1918,
foi pastor por muitos anos na Paraíba, Rio e S.Paulo, onde dirigiu, de 1946 a
1980 a AD do Belém; Paulo de Leivas Macalăo, pastor da AD de Madureira, RJ. Em
1924 Gunnar Vingren muda-se para o Rio de Janeiro, onde funda, em S.Cristóvăo a
primeira igreja da AD na cidade, sendo logo seguido de Daniel Berg e Samuel
Nyström que iniciam a evangelizaçăo em Santos e S.Paulo, em 1927. Desse modo,
quando da I Convençăo Geral das ADs realizada em Natal, RN, em 1930, o
assembleianismo estava presente em quase todos os estados, com exceçăo do
Centro-Oeste.
O crescimento da denominaçăo de
Norte ao Sul seguiu-se no encalço de áreas de grande densidade populacional, mas
com forte potencial migratório, o que garantia a expansăo da obra assembleiana
por todo o país num processo mais de translado de igrejas combinado com
evangelismo pessoal, e que em certo sentido lembra bastante o translado das
igrejas e das comunidades como se deu com os luteranos alemăes no início do
século XIX. Outros fatores impulsionariam o crescimento do assembleianismo no
país.
a)
O desenvolvimento das novas igrejas era
realizado pelos obreiros, apenas havendo eventualmente o concurso missionário, o
que, no caso dos missionários nacionais, se deu mais no interior do Nordeste do
que nas áreas urbanas do Sul, onde os missionários se instalavam para começar o
trabalho com a comunidade já constituída. Vingren e Berg saíram do Pará se
instalando respectivamente no Rio e em S.Paulo, acompanhando o rastro da
migraçăo oriunda do Norte e dos centros Nordestinos.
b)
A evangelizaçăo pessoal e a colportagem foram
mais ativos no processo de disseminaçăo do assembleianismo no país, do que o
rádio e a TV, que por muito tempo foram hostilizadas, apenas se percebendo muito
tarde seu potencial de evangelismo, e isso depois de já terem sido usadas por
denominaçőes históricas, embora o verdadeiro cerne da expansăo assembleiana pelo
país esteja relacionado com a migraçăo;
c)
Os pastores assembleianos, que até a 70, em
sua maior parte, năo eram beneficiados por uma formaçăo teológica em seminários
ou instituiçőes congęneres, insuflaram um preconceito ostensivo contra
estratégias de evangelizaçăo que passassem pelo uso do que houvesse de mais
moderno em comunicaçăo de massa, mesmo depois de evidenciada a idiossincrasia de
tais idéias como quando da visita do evangelista Billy Grahan ao Brasil, em
1974, amplamente propagada pela TV. Com isso, a qualidade do crescimento da
igreja foi seriamente abalada e adiado o ingresso das igrejas pentecostais ŕ
grande mídia, pelo menos até a década de 80, além de criar por muito tempo o
conceito de que o movimento pentecostal era, essencialmente, regressista.
d)
Por se vincular ŕs lideranças locais, sendo
por meio delas que o crescimento da igreja se verificou e se consolidou, e
considerando o papel que o laicato sempre teve no ministério assembleiano, o
congregacionalismo dessa denominaçăo se mostrou muito mais dinâmico e seu
crescimento mais veloz, que o dos congregacionalistas históricos e batistas.
Gunnar Vingreen
administrador e jornalista.
Gunnar Vingren foi o fundador
dos primeiros jornais de orientaçăo pentecostal do Brasil, o
Boa Semente,
em Belém, em 1919, e o
Som Alegre,
no Rio, em 1929. Em 1930, ambos os jornais foram unificados no
Mensageiro da Paz,
ainda hoje em circulaçăo. Era por meio da imprensa que o missionário realizava
tanto a obra apologética quanto a divulgaçăo da doutrina pentecostal em meio
tanto ao catolicismo, quanto ao terreno árido do protestantismo secularizado.
Contudo, se por um lado a imprensa era útil na evangelizaçăo, por outro, expunha
a outra face do missionário, lamentavelmente muito limitada do ponto de vista
intelectual: na II Convençăo das ADS realizada no Rio em 1931, por exemplo, ele
descartou completamente a importância do Seminário na formaçăo pastoral:
o melhor seminário é o de “joelhos” perante a face do SENHOR. Ali
o Espírito Santo nos transmite os mais belos e poderosos sermőes. Aleluia! Pedro
năo foi formado por nenhum seminário.
Por outro lado, a defesa
do ministério feminino dentro da igreja e o modo como iniciou a transferęncia
das igrejas dirigidas pelos missionários suecos para obreiros nacionais, sem
ônus ou atritos, é um dos indicativos da forte presença e personalidade de
Vingren e de como sua liderança era acatada sem tergiversaçőes, mesmo por
aqueles que năo concordavam com seus pontos de vista.
Os últimos anos: morte.
Gunnar Vingren sempre foi
fisicamente muito frágil; Além da hérnia, do qual já sofria desde a Suécia,
adquiriu no Pará febre tifóide, beribéri, malária e outras doenças tropicais. O
clima carioca, embora menos severo que o paraense, também lhe debilitou ainda
mais, levando-o a fazer tratamento de saúde na Suécia, de 1915 a 1917 e de 1921
a 1922. Em seu último período no Brasil (1922—1932), os problemas de saúde se
acentuaram agravados pelas dificuldades financeiras que lhe custaram, inclusive,
a perda de uma filha, Gunvor. Em setembro de 1932 ele deixa o Brasil
definitivamente, vindo a falecer pouco tempo após seu regresso num hotel em
Tallang, perto de Estocolmo, em 29/06/1933. Como disse sua esposa
posteriormente:
ele estava muito
fraco e quase năo falava. A única coisa que disse foi. “está cantando o meu
coraçăo. (...). Ele partiu para a eternidade sem a menor angústia.
Fontes:
Almanaque Evangélico Brasileiro para o ano de 1922.
Rio de Janeiro e S.Paulo, Paulo M.Higgins, editor e livreiro evangélico, 1923.
APRECIAÇĂO E DIRETRIZES:
5ş Congresso Evangélico Brasileiro. Coleçăo Erasmo Braga. Rio de
Janeiro, Centro Brasileiro de Publicidade, 1937.
Diário do Pioneiro Gunnar Vingren,
com notas de Ivar Vingren. Rio, CPAD, 12ş ediçăo, 2006.
História da Convençăo Geral das Assembléias de Deus no Brasil,
Rio, CPAD 2005.
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